1) Segundo Nietzsche, o cristianismo concebe o mundo terrestre como um vale de lágrimas, em oposição ao mundo da felicidade eternal do além. Essa concepção constitui uma metafísica que, à luz das idéias do outro mundo, autêntico e verdadeiro, entende o terrestre, o sensível, o corpo, como provisório, o inautêntico e o aparente. Trata-se, portanto, diz Nietzsche, de `´um platonismo para o povo´´ de uma vulgarização da metafísica, que é preciso desmistificar. O cristianismo, continua Nietzsche, é a forma acabada da perversão dos instintos que caracteriza o platonismo, repousando em dogmas e crenças que permitem à consciência fraca e escrava escapar à vida, à dor e à luta, e impondo a resignação e a renúncia como virtudes. São escravos e os vencidos da vida que inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação dos instintos da vida. ´´ Este ódio de tudo que é humano´´, diz Nietzsche, ´´ de tudo que é animal ´´ e mais ainda de tudo que é ´matéria´, este horror dos sentidos… este temor da felicidade e da beleza; este desejo de fugir de tudo que é aparência, mudança, dever, morte, esforço, desejo mesmo, tudo significa… vontade de aniquilamento, hostilidade à vida, recusa em se admitir as condições fundamentais da própria vida.
2) O Estado, diz Nietzsche está sempre interessado na formação de cidadões obedientes e tem, portanto, tendência a impedir o desenvolvimento da cultura livre, tornando-a estática e estereotipada.
3) A loucura não passa de uma máscara que esconde alguma coisa, esconde um saber fatal e ‘ demasiado certo ‘. …onde existe loucura há um grão de gênio e de sabedoria
< FRIEDRICH NIETZSCHE - OBRAS INCOMPLETAS// EDITORA NOVA CULTURAL// VOLUME I>
Nenhum comentário:
Postar um comentário